sexta-feira, 7 de julho de 2023

Atividade Prática Locorregional - Teoria das Artes Visuais

Aluna: Nathália de Ornelas Nunes de Lima
RU: 4490542
Polo: Duque de Caxias (RJ) - Centro 
Curso: Bacharelado em Artes Visuais
Disciplina: Teoria das Artes Visuais
Fase A 2 - 2023

TEMA: Elaboração de uma pintura a partir do conceito formalista de Clement Greenberg

OBJETIVO: Realizar pintura planar de forma a compreender a cor sobre uma superfície


EXPERIMENTAÇÃO E PRODUÇÃO


Apresentação

Atendendo à proposta da Atividade Prática Locorregional da disciplina de Teoria das Artes Visuais (Fase A 2 - 2023), estruturada em quatro atividades, descrevo suscintamente aqui como desenvolvi meu trabalho.

De acordo com o tema e o objetivo propostos na atividade, selecionei uma obra do artista e interventor urbano brasileiro Mario Bands (1985-) como base para a minha intervenção artística, realizando uma pintura planar, conforme os pressupostos da pintura modernista apontados na teoria formalista do crítico Clement Greenberg (1909-1994). Para a realização dessa pintura, fiz uso da técnica de pintura abstrata a rodo, difundida pelo pintor alemão contemporâneo Gerhard Richter (1932-).

Optei pela postagem em blog pessoal como principal forma de apresentação das etapas do trabalho, por meio de descrição e fotografias do processo de elaboração da atividade. Além disso, o blog é uma ferramenta com a qual tenho maior familiaridade e, além de texto, permite a inserção de imagens e vídeos nas postagens. 

As respostas às atividades encontram-se na ficha enviada pelo AVA UNIVIRTUS. 


A obra selecionada para intervenção

Os grafites (ou graffiti) e outras formas de intervenção artística no espaço urbano, tais como as colagens de stickers e cartazes e o estêncil, são expressões muito comuns na região metropolitana do Rio de Janeiro, onde vivo e também está situado meu polo de apoio presencial (Duque de Caxias - Centro). A obra escolhida para a intervenção nesta Atividade Prática Locorregional é 500 metros, do artista carioca Mario Bands, localizada no bairro do Caju, na Zona Portuária da cidade do Rio de Janeiro. Trata-se de uma pintura mural que tem elementos característicos do grafite e que ocupa um grande muro em torno do estacionamento do edifício Port Corporate Tower, no quarteirão entre o início da Avenida Brasil e a Avenida Rio de Janeiro. 

Mario Bands, que tem formação em Comunicação Social e se define como arte-educador, artista interventor e urbano e grafiteiro, é oriundo do Complexo da Penha, Zona Norte do Rio. Começou seu trabalho artístico em 1999 e, desde então, seus grafites e intervenções têm ocupado muros, fachadas de prédios e até mesmo ruínas pela região metropolitana. Em seus trabalhos, o artista utiliza muitas linhas e formas geométricas e trabalha com cores e sombras, utilizando-se de perspectiva, o que confere às obras a sensação de profundidade (FAZOLLA, 2017). 

Nos últimos anos, por conta dos grandes eventos internacionais realizados no Rio de Janeiro, como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, essa região da cidade atraiu investimentos públicos e privados e tem passado por processos de reforma, revitalização e reutilização de espaços, demolição de antigas estruturas e construção de novas, especialmente a partir do consórcio Porto Maravilha. O Port Corporate Tower, inaugurado em 2014 e adquirido pela Bradesco Seguros em 2018, é um dos edifícios erguidos nesse contexto de alterações urbanísticas no Rio de Janeiro (MONTANARI, 2022, p. 6-10; 21). Entretanto, apesar da opulência de novas construções e investimentos na região portuária, essa ainda é uma área marcada por dificuldades como a violência, a pobreza, a poluição e os problemas de trânsito e transporte público.

Observo a relevância da Zona Portuária para os habitantes do município do Rio de Janeiro e também para os de municípios vizinhos, como os da Baixada Fluminense, entre os quais, Duque de Caxias. Essa é uma região de grande circulação de pessoas e veículos: o prédio e a obra de Mario Bands estão localizados próximo ao Porto do Rio, ao hospital INTO (que ocupa as antigas instalações do Jornal do Brasil), à Rodoviária Novo Rio, ao Centro da cidade e nos acessos a grandes vias, como a Avenida Brasil e a Ponte Rio-Niterói. A obra de Mario Bands, exemplo de Arte Urbana ou de Rua (ou, ainda, Street Art), chamou em especial a minha atenção por estar situada em frente a um ponto de ônibus no qual costumam parar muitas linhas em direção à Baixada Fluminense - e no qual muitas vezes embarquei em ônibus em direção à minha casa.

Destaco, ainda, que essa é uma terceira versão da obra de Bands. Anteriormente, a pintura mural tinha prevalência de tons azuis e depois o artista desenvolveu uma composição com uso de tons avermelhados e pastéis. Em 2022, Bands desenvolveu a nova versão de 500 metros, na qual há grande destaque para os tons avermelhados. Dada a extensão da pintura mural, a fotografia que obtive e utilizei no trabalho mostra apenas uma parte da obra. 


Fig. 1. Registro fotográfico de 500 metros, de Mario Bands. 2023.


Os materiais utilizados

- Fotografia impressa em papel sulfite 75gr. tamanho A4;

- Papelão;

- Tesoura;

- Estilete;

- Réguas;

- Lapiseira;

- Cola branca;

- Pincéis e trincha;

- Tintas acrílica (cores: azul da Prússia, violeta cobalto e verde terra)

- Tinta PVA fosca para artesanato (cores: azul turquesa, violeta, rosa escuro, preto, além de mistura entre cores);

- Espátula plástica.



Fig. 2. Materiais utilizados na pintura.


O processo de composição do trabalho: passo a passo em fotos

As fotografias abaixo mostram as etapas da pintura, procurando seguir a técnica de pintura a rodo ou com espátula do artista alemão Gerhard Richter. Nessa técnica de pintura abstrata, camadas de tinta sobrepõem-se na superfície da tela e, neste caso, sobre uma fotografia. Essas camadas são aplicadas com uma espátula, desempenadeira, rodo ou outra ferramenta similar que permita movimentos que arrastem e espalhem as tintas de diferentes cores sobre a tela, encobrindo e dando novos significados à fotografia tomada como base da pintura. Richter utilizou essa técnica no conjunto de quatro telas "Birkenau", produzido em 2014 (CORN, 2020; CUADROS, 2019, p. 2-5).

Em meu trabalho, optei por utilizar mais as cores violeta, rosa e azul turquesa, que são cores adjacentes no círculo cromático e, em termos de harmonia cromática, são uma composição com cores análogas (PIAIA, 2018). Utilizei também preto, branco e verde terra, além de misturas entre essas cores. 


Fig. 3. Colagem da fotografia sobre o suporte de papelão.


Após a colagem da fotografia sobre o pedaço de papelão, que utilizei como suporte, dei início à pintura. Na camada inicial de tinta sobre a fotografia utilizei uma trincha e, com pinceladas mais suaves, defini  as cores azul turquesa e preto como as de fundo.

Em seguida, utilizei uma espátula plástica para espalhar as camadas de tinta de outras cores. Algumas ranhuras foram produzidas com o auxílio de uma pequena régua, a fim de produzir texturas conforme novas camadas de tinta eram espalhadas com a espátula.


Figs. 4 e 5. Aplicação de tinta PVA fosca azul turquesa e preto, com utilização de trincha. 


Figs. 6 e 7. Aplicação de camadas de tinta acrílica violeta cobalto e azul da Prússia, com utilização de espátula.



Figs. 8 e 9. Aplicação de tinta PVA fosca rosa com espátula.



Figs. 10 e 11. Aplicação de detalhes com tinta acrílica verde terra e produção de marcações e ranhuras com a espátula.


Resultado

A fotografia abaixo mostra como a pintura ficou após a secagem das tintas.


Fig. 12. Trabalho finalizado.


É interessante, por fim, notar o contraste entre as obras de Mario Bands e Gerhard Richter: enquanto os grafites e intervenções do artista carioca possuem como características a utilização de elementos da paisagem urbana como base para seus projetos, com desenhos de formas geométricas com linhas bem definidas e aspecto de tridimensionalidade, as obras de Richter, por outro lado, geralmente feitas em telas, tendem a à abstração e estão mais próximas à noção formalista de planaridade definida por Clement Greenberg. 

O uso de cores, entretanto, é um elemento expressivo marcante nas obras de ambos os artistas. Em minha proposta de intervenção também busquei considerar as cores e as texturas como elementos relevantes para a criação da abstração a partir da pintura planar.


Referências

CORN, Wanda M. Gerhard Richter. DasArtes, Rio de Janeiro, n. 96, maio 2020. Disponível em: https://dasartes.com.br/a-revista/dasartes-96/

CUADROS, Lóren Cristine Ferreira. Fotografia e arte abstrata: cruzamentos entre registro, ficção e testemunho em Gerhard Richter. Letrônica: Revista Digital do Programa de Pós-Graduação em Letras da PUCRS, Porto Alegre, v. 12, n. 3, p. 1-18, jul.-set. 2019: e33375. Disponível em: https://doi.org/10.15448/1984-4301.2019.3.33375

DEGE, Stefan. Celebrado pintor alemão Gerhard Richter completa 90 anos. DW Brasil, 9 fev. 2022. Disponível em: https://www.dw.com/pt-br/celebrado-pintor-alem%C3%A3o-gerhard-richter-completa-90-anos/a-2343067

DEUTSCHE WELLE BRASIL. Gerhard Richter: um artista universal. Camarote.21. 22 abr. 2023. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=6FdcUzxWcSY

FAZOLLA, Leandro. Jaz Aqui. Prêmio PIPA, 2017. Página do Prêmio PIPA, destinado à arte contemporânea brasileira. Disponível em: https://www.premiopipa.com/pag/artistas/mario-bands/

GONTIJO, Bruno Henrique Fernandes. A planaridade na teoria modernista de Greenberg e seu paralelismo com a produção artística de Piet Mondrian e Lygia Clark. Revista Visuais, Campinas, SP, v. 8, n. 1, p. 42–57, 2022. DOI: 10.20396/visuais.v8i1.16157. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/visuais/article/view/16157. Acesso em: 3 jul. 2023.

GREENBERG, Clement. Arte abstrata. In: FERREIRA, Glória; COTRIM, Cecília. Clement Greenberg e o debate crítico. Rio de Janeiro: Zahar, 1997.

INSTITUTO PIPA; MUSEU DE ARTE MODERNA DO RIO DE JANEIRO - MAM. Mário Bands. In: Prêmio PIPA 2017: catálogo. Rio de Janeiro: Instituto PIPA; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM, 2017, p. 142-143. Disponível em: https://www.premiopipa.com/download/97272/

MONTANARI, Frederico Basso. Torres corporativas no Porto Maravilha: entre inércias e dinamismos. Espaço e Economia: revista brasileira de geografia econômica [online], ano 11, n. 24, 2022. Disponível em: https://journals.openedition.org/espacoeconomia/22336

PIAIA, Jade. Contrastes e Harmonias. Material didático da disciplina de Tecnologia da Cor em Design (AUP2324), da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAU-USP. 2018. Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/course/view.php?id=65582

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